A explosão da inteligência artificial no marketing: robôs bebendo vodka e a falta de estratégia

A inteligência artificial no marketing deixou de ser tendência e virou infraestrutura. Hoje ela escreve texto, cria imagem, edita vídeo, segmenta público, otimiza anúncio ( as vezes) e, oficialmente, já estreou no intervalo mais caro da TV mundial: o Super Bowl.

Mas isso nem é tanta novidade, o que importa aqui é o anúncio…

A vodka Svedka exibiu aquele que está sendo chamado de o primeiro comercial do Super Bowl criado majoritariamente por IA.
Tecnicamente ousado.
Culturalmente curioso.
Criativamente… discutível.

Veja por conta própria:

E não, o problema não é ter usado IA.
O problema é que o anúncio virou quase um estudo de caso involuntário sobre o que acontece quando tecnologia chega antes da ideia.

O ponto central disso é

A IA não está “dominando” o marketing, ela está escancarando quem nunca dominou estratégia nenhuma.

Quando você entrega quase tudo para prompts, modelos e decisões automáticas, sem uma narrativa forte por trás, nasce esse tipo de campanha:

  • visualmente barulhenta
  • conceitualmente confusa
  • e com aquele cheiro de “era melhor nem ter feito”

É aí que surge o marketing caricato, sem personalidade, que tenta ser provocativo, mas termina só sendo estranho. E talvez esse seja o maior sinal de que o mercado não estava preparado para lidar com tantas possibilidades ao mesmo tempo.

O paradoxo Svedka (e por que ele importa)

A ironia é deliciosa:
um comercial feito quase todo por IA para dizer que precisamos largar as telas e voltar a nos conectar como humanos (pelo menos é isso que parece).

Os robôs aparecem para lembrar os humanos… de serem humanos.
O Brobot entra em curto-circuito depois de beber vodka, a coreografia vem de um concurso no TikTok rsrs.

Tudo muito alinhado com a cultura digital. E, ao mesmo tempo, tudo muito distante de gerar conexão, com a marca e nem com o produto.

Não porque a tecnologia falhou, mas porque tecnologia nenhuma resolve falta de clareza criativa.

O que acontece quando a cabeça vem antes do prompt? Quem tem cabeça vai a Roma

Vamos deixar algo claro: a IA é poderosa.
Muito poderosa.

Hoje ela permite criar dezenas de variações de criativos em minutos, personalizar mensagens por estágio do funil, testar ângulos, copys e formatos em escala e automatizar análises que antes levavam dias — ou semanas.

Isso é incrível.
Para quem sabe o que está testando.

Porque a IA não cria estratégia.
Ela executa decisões: rápido, fiel e sem nenhum filtro crítico sobre se aquela decisão faz sentido ou não.

E é exatamente aqui que entra o fator humano.
Somos nós que lemos comportamento, contexto e intenção. Somos nós que entendemos por que uma mensagem funciona em um momento e falha completamente em outro. É aqui que entram empatia, interpretação e repertório — coisas que vão muito além de qualquer inteligência artificial.

A IA organiza, acelera e amplia.
Mas quem contextualiza, escolhe o que enfatizar e dá sentido à marca continua sendo o profissional.

Sem isso, é só tecnologia rodando bonito… sem alma nenhuma.
A inteligência artificial executa. O profissional é quem contextualiza, interpreta e decide o que realmente precisa ser enfatizado na marca.

O risco da inteligência artificial no marketing sem estratégia

O profissional que sobrevive — e cresce — não é o que “sabe usar IA”.
O efeito colateral já está por toda parte:

  • conteúdos iguais
  • anúncios com a mesma estrutura
  • promessas vazias
  • uma linguagem neutra que não ofende… mas também não conecta

Nunca foi tão fácil produzir tanto conteúdo.
E nunca foi tão difícil se diferenciar de verdade.

Quando todo mundo usa as mesmas ferramentas,
vence quem tem pensamento próprio, não quem gera mais outputs por minuto.

O limite que a IA não atravessa (e ainda bem)

A IA não entende:

  • contexto cultural profundo
  • timing emocional
  • contradições humanas
  • decisões que fogem da lógica “bonita” dos dados

Ela não sente o clima.
Não lê o silêncio.
Não percebe quando algo parece certo, mas soa falso.

Isso ainda é humano.
E continua sendo o diferencial.

O novo papel do profissional na era da inteligência artificial no marketing

O profissional que vai sobreviver — e crescer — não é o que “sabe usar IA”.

É o que:

  • faz perguntas melhores do que o prompt
  • cria hipóteses antes de pedir execução
  • tem repertório, visão e senso crítico
  • usa IA como ferramenta, não como muleta

A IA não substitui estrategistas.
Ela escancara quem nunca foi.

Minha visão sobre isso é que:

A explosão da inteligência artificial no marketing não marca o fim da criatividade.
Marca o fim do improviso disfarçado de estratégia.

Quem entende de posicionamento, narrativa e decisão vai escalar.
Quem dependia só de fórmula pronta vai ficar irrelevante — e rápido.

A IA não pensa por você.
Ela só amplifica quem você já é.

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Lillian Almeida

Com 27 anos, sou jornalista e estrategista de tráfego, especializada em conectar marcas ao público de maneira assertiva.